Em finais de junho, após muitos e muitos meses escrevinhando uma música para o filme Limite, fizemos eu, o maestro Ricardo Bologna e integrantes do Percorso Ensemble uma leitura de sua partitura.
O projeto só estreará em finais de outubro, mas desde que sua realização virou realidade, batalhei para que essa leitura fosse feita com bastante antecedência. Isso porque trata-se de um projeto absolutamente incomum por todos os lados que se olhe: praticamente duas horas ininterruptas de música escrita, com virtualmente quase nenhuma improvisação, acompanhando um filme originalmente mudo, sem nenhum diálogo, com centenas de ponto de sincronização coletivo e alguns nos quais certos músicos devem sincronizar de forma independente de seus colegas. O que disso tudo funcionaria e o que não?
Na verdade, esse tipo de dúvida, “o que vai funcionar?” é relativamente comum, ao menos quando explora-se recantos incomuns da linguagem musical; onde, enfim, corre-se riscos (e risco, em alguma dosagem, é algo que tomo como elemento essencial em meus projetos).
É por essas e por outras que sempre tomo o primeiro ensaio de uma peça como sua estreia. Raramente fiquei nervoso ou ansioso com alguma estreia pública. Afinal, nessa “zona de risco” que me coloco, uma apreciação negativa da peça, um não gostar ou – por que não? – um sonoro “detestei!” faz parte do jogo, e logo isso não me atinge antecipadamente.
Já um ensaio é o momento de saber se “o avião voa”. É essa a metáfora que faço: as músicas que gosto de compor são como aeronaves cujo todo trabalho de construção se faz parado e no solo. Uma vez o avião pronto, essa coisa aí vai decolar?
Já tive diferentes experiências de vôos inaugurais, alguns surpreendentemente calmos, outros com turbulência devido a parafusos mal atarraxados. Até o momento, nenhum desastre no histórico. E, em tempo, o vôo experimental de Limite foi bastante promissor…
Foto: Ricardo Bologna rege ensaio do Percorso Ensemble para a trilha sonora do filme Limite, no Salão Nobre da Sala São Paulo



